Por que o farmacêutico é obrigatório em supermercados que vendem medicamentos?
A razão é simples: medicamentos são produtos que impactam diretamente a saúde das pessoas. Mesmo os MIPs (Medicamentos Isentos de Prescrição), apesar de não exigirem receita, podem causar interações medicamentosas, efeitos adversos e danos quando usados de forma incorreta. O farmacêutico é o profissional de saúde habilitado por lei para garantir a segurança no uso de medicamentos e é o único que pode assumir a responsabilidade técnica por um ponto de venda de medicamentos.
A obrigatoriedade está prevista na Lei 14.938/2024, que regulamentou a venda de MIPs em varejos não farmacêuticos, e reforçada pelas resoluções do Conselho Federal de Farmácia (CFF) e da ANVISA. Não há exceto — todo supermercado que vende medicamentos, independentemente do porte, precisa de farmacêutico como Responsável Técnico.
⚠️ Importante: O farmacêutico RT não pode ser substituído por qualquer outro profissional de saúde. Nutricionista, enfermeiro ou técnico em farmácia não têm habilitação legal para assumir a responsabilidade técnica por um ponto de venda de medicamentos. Apenas o farmacêutico registrado no CRF é aceito.
O que é o Responsável Técnico (RT) e quais são suas funções?
O Responsável Técnico é o profissional que assume perante os órgãos reguladores (ANVISA, CRF e Vigilância Sanitária) a responsabilidade pela conformidade técnica e sanitária do setor de medicamentos do estabelecimento. Suas principais atribuições no varejo de MIPs incluem:
- Supervisionar o recebimento de medicamentos: verificar integridade das embalagens, validade dos lotes e conformidade com o pedido de compra;
- Controlar as condições de armazenamento: temperatura, umidade, iluminação e organização das prateleiras;
- Garantir a rastreabilidade dos produtos: registros de lote, validade e fornecedor;
- Implementar o sistema FEFO (First Expiry First Out): garantir que os medicamentos com validade mais próxima sejam vendidos primeiro;
- Treinar a equipe do setor nos procedimentos de armazenamento, atendimento e descarte;
- Elaborar e atualizar os POPs do setor de medicamentos;
- Gerenciar o descarte de medicamentos vencidos, violados ou deteriorados conforme as normas de resíduos;
- Responder à Vigilância Sanitária e à ANVISA durante fiscalizações e auditorias.
RT Titular e RT Substituto: qual a diferença?
A legislação prevista pelo CFF permite que um estabelecimento tenha dois tipos de Responsável Técnico:
- RT Titular: o farmacêutico principal, que assume integralmente a responsabilidade técnica. É o nome que consta na AFE da ANVISA e no alvará sanitário.
- RT Substituto: um farmacêutico que cobre o RT Titular em períodos de ausência (férias, folgas, afastamentos). O substituto também deve ser registrado no CRF e cadastrado na ANVISA.
Para supermercados com funcionamento em horários estendidos (12h, 14h ou 24h por dia), é prática comum ter RT Titular e RT Substituto para cobrir todos os horários de operação do setor de medicamentos.
Carga horária mínima do farmacêutico em supermercados
A carga horária mínima exigida pelo CFF e pela ANVISA para o farmacêutico RT em estabelecimentos varejistas de MIP é calculada com base no horário de funcionamento do setor de medicamentos. Os principais parâmetros são:
- O farmacêutico deve estar presente durante todo o período de funcionamento do setor de medicamentos;
- Supermercados que vendem medicamentos apenas em horário comercial podem ter contrato de menor carga horária;
- Supermercados 24h que mantiverem o setor de medicamentos ativo fora do horário comercial precisam de escala que garanta a presença ou sobreaviso do farmacêutico.
Consulte sempre a resolução vigente do CFF e a legislação do CRF estadual, pois podem existir exigências adicionais na sua região.
Como registrar o farmacêutico RT na ANVISA e no CRF
Registro no CRF
O farmacêutico deve apresentar ao CRF estadual a Declaração de Responsabilidade Técnica firmada com o supermercado, especificando o endereço, o horário de trabalho e a atividade. O CRF emitirá o registro, que é um dos documentos exigidos na AFE da ANVISA.


